Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
"Estamos mais fortes", diz Miguel Veloso

 

 

«NÃO NOS DEIXAMOS ABALAR»

Miguel Veloso acredita no título de campeão nacional

 

Aos 22 anos, Miguel Veloso cresceu. Em entrevista a O JOGO, o médio revela-se mais maduro, consciente e determinado. A iniciar a terceira época na equipa principal, deixa um aviso sério aos rivais: Não é fácil abalar a estrutura leonina.

 

Como é que analisa os juízos de valor que têm sido feitos sobre a equipa numa fase tão prematura da época?

No início da época, éramos a melhor equipa do Mundo e agora já nos consideram a pior. Infelizmente, as coisas são assim no futebol, mas não pode existir uma diferença tão grande no prazo de duas semanas. Não faz sentido nenhum. Há momentos mais difíceis, nós começámos bem, depois tivemos duas derrotas, mas nada está perdido. Temos vindo a trabalhar bem e sabemos que esse é o caminho.

 

Que tipo de sentimento existe junto do plantel relativamente aos desaires recentes frente aos dois rivais?

Sentimo-nos tristes por perder, ninguém gosta que isso aconteça. Os jogadores, mais ainda, pois entramos em campo sempre para ganhar, mas sabemos que ainda estamos no início e vamos lutar até ao final.

 

No meio dessas análises díspares no que diz respeito ao valor da equipa, qual é a noção que o grupo de trabalho tem da sua qualidade?

Essas análises não nos abalam. Estamos mais fortes que no ano passado. Temos mais qualidade, mais opções e acho que isso é bom para o grupo e para o clube. Se não confiarmos no nosso valor quem é que confiará? Todas as pessoas têm o direito de opinar, nós respeitamos, mas confiamos no nosso valor.

 

Entende, então, que o Sporting está a ser injustamente avaliado?

Se calhar, existem outros clubes que não são tão criticados como nós. Clubes esses que não ganharam uma Taça de Portugal ou uma Supertaça, mas é sobre o Sporting, porém, que todos caem. Se calhar, é por nós sermos tão grandes. Mas isso só faz com que sejamos mais fortes.

 

«UNIDOS CHEGAREMOS MAIS LONGE»

Apoio dos adeptos é fundamental

 

A relação entre os adeptos e a equipa oscila muito. Até olhando para as assistências, que são abaixo do esperado, acha que os adeptos têm tido pouca paciência?

Nós respeitamos a opinião dos adeptos, principalmente a deles, pois são eles que vêm ao estádio e nos dão apoio. Contudo, infelizmente para nós, acho que não é justo que aos 20 minutos do jogo com o Basileia nos assobiassem. Acho que os adeptos deveriam compreender a nossa insatisfação quando as coisas não nos saem bem e não estamos a ganhar. O Sporting só pode seguir em frente se estivermos todos unidos. Jogadores, treinadores, directores juntamente com os adeptos. Assim ficaremos ainda mais fortes.

 

No final do jogo com o Basileia foi contundente a criticar o comportamento dos adeptos, sublinhando que, "se fosse para assobiar era melhor ficarem em casa". Esse tipo de declarações não poderá ser mal interpretado?

Na altura, aquilo que eu queria dizer é que, apesar da vitória sobre o Basileia, ficámos um pouco insatisfeitos com os adeptos. Não me referi apenas a mim, mas a todo o grupo de trabalho, pois estávamos tristes, por entendermos que não era justo aquele tipo de manifestação. Por isso, nessa altura, demonstrei a minha insatisfação e a de todo o grupo. Não é compreensível que aos 20' nos assobiem. Podemos entender que os adeptos estejam insatisfeitos, pois há algum tempo que não vencemos o campeonato, mas há três anos consecutivos, algo inédito na história do Sporting, que disputamos a Liga dos Campeões. O que eles não compreendem é que nós, jogadores, ainda ficamos mais desiludidos quando não ganhamos. Era isso que eu queria que os adeptos entendessem. Nada mais.

 

No jogo com o FC Porto já sentiu alguma diferença na forma de estar do público em Alvalade?

Senti. Os adeptos apoiaram-nos desde o primeiro ao último minuto. Apesar da derrota, estiveram sempre com a equipa, por isso, após o jogo, também agradeci o apoio ao público.

 

Já se apercebeu que vai menos gente ao estádio? Alguma vez deu por si a olhar para as bancadas e a pensar que seria suposto estar mais gente na plateia?

No momento actual que se vive, com a situação financeira muito débil, as famílias sentem dificuldades. Temos reparado que vem menos público aos estádios, mas são situações que não dependem apenas de nós. Óbvio que gostávamos de ter o estádio sempre cheio, era muito importante.

 

Tem a noção do preço dos bilhetes?

Não. Não faço a mínima ideia quanto custa um bilhete.

 

 

«EU E O ROCHEMBACK SOMOS COMPATÍVEIS»

Veloso diz que ambos podem actuar juntos no meio-campo

 

Uma das razões mais apontadas para os desaires recentes do Sporting foi a falência do meio-campo, surgindo inclusivamente algumas análises em torno da compatibilidade de Miguel Veloso e Rochemback no mesmo onze. É complicado coabitarem os dois em campo?

Não tenho essa opinião. Quando eu entrei em Barcelona, o Fábio estava a jogar no meio e as críticas foram favoráveis. Por isso acho que isso não faz sentido.

 

Depois do golo à Naval, na época passada, não voltou a marcar. É algo que precisa para lhe aumentar os níveis de confiança?

É sempre importante, dá moral, pois em qualquer parte do mundo um jogador com confiança é completamente diferente. Obviamente que os golos dão confiança e serão bem-vindos.

 

É fácil de identificar uma frustração especial quando não consegue os seus objectivos nesse capítulo, nomeadamente quando tenta o remate de meia-distância...

Na minha posição, surgem poucas oportunidades para tentar o remate, e tenho aquela ansiedade de querer fazer o melhor, mas infelizmente não tem saído. Mas farei tudo para que isso aconteça.

 

Trabalha muito esse tipo de lances?

Sim, eu quero sempre aperfeiçoar, não só esse aspecto, mas também outros. Quero sempre evoluir.

 

«ESTE ANO VOU SER CAMPEÃO»

Convicção máxima em relação ao título

 

O Miguel ganhou pelo menos um troféu por época desde a sua última época como júnior. No começo da terceira temporada como profissional, porém, ainda não foi campeão...

Mas vou ser este ano!

 

Parece uma profecia à José Mourinho...

Não sei, é uma convicção. Tudo farei para que isso aconteça.

 

Mas é essa a lacuna que lhe falta preencher nesta altura da sua carreira?

Falta-me preencher muita coisa. Fui campeão de juniores no meu segundo ano, campeão da II Divisão pelo Olivais e Moscavide, ganhei duas Taças e duas Supertaças. É bom ter rotina a ganhar e ter títulos.

 

 

«GOSTO DE JOGAR NO MEIO-CAMPO»

Preferência confessa pelo centro do terreno

 

O Miguel Veloso começou a época no banco de suplentes. Esta época está mais complicado conseguir um lugar no onze?

Temos jogadores com muita qualidade, mais opções, cabendo ao mister decidir. A mim cabe-me continuar a trabalhar para ajudar o Sporting. É isso que eu quero.

 

Mesmo que para isso seja obrigado a jogar a lateral-esquerdo adaptado?

Eu tento fazer o meu melhor e o importante é que a equipa se sinta valorizada.

 

Mas sente-se adaptado a essas funções?

Não é uma questão de estar adaptado, eu quero é ajudar. É óbvio que onde eu gosto de jogar é no meio-campo, mas tentarei sempre fazer o melhor em qualquer posição.

 

Curiosamente, sempre que existem alterações tácticas, por norma, é chamado a cumprir vários tipos de funções. Começa a médio-defensivo, passa para lateral-esquerdo, outras vezes para o eixo da defesa. É complicado gerir essa situação?

Não é fácil, por isso é que treinamos todos os dias, para evoluir. O mister sabe aquilo com que pode contar. Se acha que eu faço bem estas funções, continuarei a fazê-lo. Agora, não é fácil um jogador começar no meio e depois derivar para a esquerda, por exemplo.

 

«VOU TRABALHAR PARA VOLTAR À SELECÇÃO»

Assumir-se na Selecção Nacional continua a ser um objectivo

 

Ainda não foi chamado à Selecção A desde que Carlos Queiroz assumiu o comando de Portugal. Como encara essa situação?

Com naturalidade. O mister Queiroz decidiu não me levar, e só tenho de respeitar essa opinião. Vou trabalhar para merecer nova oportunidade, voltar e ajudar a Selecção Nacional.

 

Esteve no Europeu com apenas 22 anos, algo pouco comum. O que retirou dessa experiência?

Foi uma grande alegria poder estar a jogar com e contra alguns dos melhores jogadores do Mundo. Era um objectivo que tinha em mente e que concretizei rápido. São momentos fantásticos, únicos, que se vivem.

 

Estamos perante um novo ciclo na Selecção, com um novo técnico, jogadores que saíram

e outros que entraram. Que opinião tem feito desta evolução?

Tenho boa opinião. O mister Queiroz é a pessoa certa para tomar conta da Selecção. Há um novo ciclo em curso, de facto, com outros jogadores, mas todos eles têm qualidade.

 

Que memórias lhe deixou Luiz Felipe Scolari?

Fiquei com boas recordações. O forte dele é a parte mental. Trabalhava muito bem esse aspecto, e os resultados ficaram à vista.

 

 

«NÃO PODEMOS OFERECER GOLOS»

Médio leonino admite erros cometidos pela equipa

 

Depois de duas derrotas face aos rivais directos, Benfica e FC Porto, qual é o estado anímico da equipa?

A equipa está bem. Recordo-me de que há dois anos, o período que estou na equipa principal, ganhávamos sempre os dérbis e facilitávamos com as chamadas equipas pequenas, acabando por ser nesses jogos que perdíamos o campeonato. Se este ano for ao contrário, óptimo. O nosso único objectivo é ganhar o campeonato, e estamos no bom caminho. Infelizmente, tivemos duas derrotas seguidas, mas o grupo está consciente daquilo que pretende e vai continuar a lutar por isso.

 

Mas perder com dois rivais directos na luta pelo título deve mexer um pouco com o orgulho do grupo de trabalho, ou não?

Perder com dois clubes rivais não é agradável. Claro que queremos sempre ganhar, mais ainda com eles, mas nada está perdido, continuamos a dois pontos do primeiro, penso eu, e na luta pelos nossos objectivos.

 

Já conseguiram identificar as razões principais desses desaires?

Os principais erros frente ao FC Porto, fomos nós que os cometemos. Sem tirar o mérito ao adversário, fomos nós que criámos os golos, eles criaram uma ou duas ocasiões, mas o Sporting na segunda parte esteve mais acutilante, mas acabámos por não ser felizes.

 

Neste início de campeonato, a equipa também vem revelando alguma fragilidade nos lances de bola parada. Já encontraram explicações para isso?

É um facto que já sofremos quatro golos em lances de bola parada. É um aspecto que devemos rever, não só esse como outros: como oferecer golos. Isso não pode ser, mais ainda em jogos muito equilibrados, de grande nível, onde os jogos se decidem em detalhes. Foi isso que aconteceu.

 

Esta paragem na competição poderá ser benéfica para a equipa reflectir sobre os acontecimentos recentes, ou nada melhor que jogar para tentar esquecer uma derrota?

No nosso caso, depois de uma derrota queríamos voltar logo a jogar para ganhar e aumentar os níveis de confiança. Mas assim vamos ter duas semanas para trabalhar e resolver os nossos erros.

 

Depois desta paragem, seguem-se dois jogos, Leiria e Shakhtar Donetsk, a contar para a Taça de Portugal e Liga dos Campeões, respectivamente, onde o Sporting terá dois testes complicados...

Primeiro temos o jogo da Taça, frente ao Leiria, que será bastante complicado. Mas depois teremos um jogo bastante duro, decisivo, frente a uma grande equipa, que, jogando em casa, será mais forte ainda. A nós, compete-nos lutar pelo nosso objectivo, que passa por conquistar os três pontos.

 

O facto de o jogo frente ao Shakhtar Donetsk poder ajudar a decidir quem será o segundo classificado do Grupo C, partindo do princípio de que o Barcelona ganhará o grupo, aumenta o nível de dificuldade deste embate?

Normalmente, não convém perder frente aos adversários directos. Acho que o Shakhtar Donestk tem bastante qualidade individual e também colectiva. Temos de estar bem preparados para esse confronto, por forma a conseguirmos sair da Ucrânia com um resultado que se encaixe nos nossos objectivos.

 

«QUERO EVOLUIR»

Ambição de chegar cada vez mais longe

 

Depois de tudo aquilo que já demonstrou e de tudo aquilo de que já se falou, esperava ainda estar ao serviço do Sporting nesta altura?

Assinei um contrato até 2013 e gostava de o cumprir até ao final. Contudo, qualquer jogador ou ser humano luta para melhorar, evoluir e dar o salto. Quem disser o contrário está a mentir. Mas sei que estou numa grande equipa, o Sporting deu-me tudo desde criança, e eu só tenho de agradecer.

 

Existia alguma expectativa de sair no final da época passada?

Sim, tinha alguma expectativa que isso pudesse acontecer, mas não aconteceu, e estou num grande clube, ao qual darei sempre tudo. É lógico que gostava de sair para um clube ainda maior, mas... sem pressas.

 

Depois de uma primeira época fulgurante, em que coleccionou elogios e arrebatou a crítica e os adeptos, a temporada passada foi bem menos exuberante. Por que razão?

Sou da opinião que a primeira época foi fantástica, mas é importante referir que foi fantástica para a equipa também. Estivemos na luta pelo título até ao fim, ganhámos a Taça de Portugal, enquanto na segunda época começámos a ganhar a Supertaça, mas depois as coisas não correram tão bem no campeonato. Em determinada altura, as críticas foram injustas, pois eu não jogo sozinho, ajudo a equipa, mas, quando as coisas não saem tão bem à equipa, é natural que os jogadores não sobressaiam tanto. O individual é sempre o reflexo daquilo que a equipa demonstra.

 

 

«CAÍ NO ERRO DE DIZER QUE A MINHA CLÁUSULA ERA ALTA»

Eventuais transferências foram ponto quente do defeso

 

O principal tema quente deste defeso foi João Moutinho, o capitão de equipa, ter manifestado intenção de sair, especialmente pela forma como o fez. Ficou surpreendido?

Por ser capitão, o João não é diferente de qualquer outro jogador. Ele está na equipa sénior do Sporting há muito tempo e tem o direito de querer dar o salto. Apresentou os seus motivos para sair. Se calhar, muitos não esperariam que ele tivesse vontade de sair, mas é legítimo que tenha esse desejo.

 

No caso de Moutinho, dada a responsabilidade de ter a braçadeira, não seria mais coerente escolher outra forma de se exprimir?

Porventura, mas ele decidiu assim. Tenho a opinião que se deve sempre falar com o clube. Por altura do Europeu, se calhar caí no erro de ter dito que a minha cláusula era muito alta, pois esses são assuntos para serem resolvidos internamente, entre os jogadores e os clubes. No caso do João, repito, por ser capitão não é diferente. O factor surpresa em relação ao João teve muita influência em tudo aquilo que se falou e nas reacções existentes.

 

Moutinho é um bom capitão?

Sem dúvida. Tem estado com o grupo sempre sabendo defendê-lo. A sua juventude não tem contado. As pessoas depositaram inteira confiança nele, e o João tem sabido retribuir.

 

Acha que tudo se passou demasiado rápido desde que voltou ao Sporting?

Na primeira temporada, depois as coisas tomaram o seu rumo normal.

 

Isso não o alterou de alguma forma?

As pessoas exigem mais de mim. Isso é bom, porque assim também exijo mais de mim.

 

 

«NANI? MUITO FORTE!»

Miguel Veloso relembra a qualidade do ex-colega e amigo do Manchester

 

Tem falado com Nani?

Sim, por vezes falamos por telefone. Quando estou em estágio com o Yannick, ele telefona-nos, mantemos sempre o contacto. É sempre bom ver os nossos amigos bem.

 

É das pessoas que melhor o conhecem. É inegável que Nani surpreendeu pela forma fulgurante como iniciou a carreira no Manchester United. Também o surpreendeu a si?

Nada! Além das qualidades que tem, ele é muito forte mentalmente e, quando decide uma coisa, atira-se com uma vontade enorme. Fê-lo logo nos primeiros jogos pelo Manchester United e está a justificar.

 

Ainda combinam celebrações à distância?

Agora, acabaram-se as celebrações a três. Só na Selecção. E, se Deus quiser, acontecerão.

 

«ESTOU MAIS MADURO»

Médio sente-se mais consciente

 

A sua forma de estar, de agir e até as próprias declarações dão a entender estarmos na presença de uma pessoa que evoluiu bastante em termos de maturidade. Houve uma mudança estratégica em termos comportamentais ou uma evolução natural das coisas?

O tempo passa, e a gente vai ficando mais madura, mas, dentro de mim, tenho sempre aquela criança e aquela pessoa tranquila. Mas reconheço que estou um pouco mais maduro e mais tranquilo. Não me sinto nada diferente, talvez mais evoluído.

 

Também mais consciente do mundo em que está inserido?

Sem dúvida [risos]. Tocaram no ponto certo.

 

«É COMO SE FOSSE EU A ESTAR NA SELECÇÃO»

Feliz com a convocatória de Yannick

 

O seu grande amigo Yannick Djaló é um dos tais elementos que dão os primeiros passos na equipa de todos nós. Isso decerto que o toca especialmente, mesmo assistindo de fora....

Claro! Fico muito feliz. Para mim, é como se fosse eu a estar lá. Sinto-me alegre por ele. Merece.

 

Está já designado como padrinho do Chrystian, filho de Yannick. Preparado para assumir o papel?

Sim, mas ainda não está oficializado. Mas vou cumprir bem o meu papel, de certeza. [risos].

 

Hoje, já poucos o associam ao seu pai, António Veloso. Sente que ganhou a sua própria identidade?

Sim, isso já aconteceu. Mas todos sabem que tenho o maior dos orgulhos no meu pai e em tudo aquilo que ele fez na sua carreira. Tenho de lhe agradecer por tudo, bem como a toda a minha família, em especial à minha mãe, embora o nome seja o do meu pai. Contudo, na verdade penso que me consegui desprender do "Veloso" e que agora já sou conhecido por ser o Miguel Veloso.

 

 

«PALAVRAS DE VUK NÃO AFECTARAM O GRUPO»

Atitude do montenegrino não se reflectiu no balneário

 

Os anos que tem de uma casa onde cresceu e despontou já lhe conferem moral para falar. Posto isso, qual a sua opinião sobre a posição radical de Vukcevic, que diz querer sair, e a sua troca de palavras com o técnico Paulo Bento e Derlei, jogador com peso no balneário?

Isso é entre o jogador e o treinador. Respeito a decisão do Simon; também eu um dia gostaria de me ir embora. Ele tem muita qualidade, sem dúvida, sempre que entra em campo é com a intenção de ajudar.

 

Mas essa troca de palavras, essas posições extremadas, isso não entrou no balneário?

O balneário tem de se abstrair disso, do facto de um jogador querer resolver a sua vida. Tenho é a opinião que, se ele queria sair, deveria falar com o Sporting e não vir dizê-lo à comunicação social. De resto, não teve qualquer efeito no nosso trabalho.

 

É difícil lidar com Stojkovic no balneário, sendo ele um jogador proscrito, que não está nos planos do treinador?

Não. Tem trabalhado bastante bem pelo que tenho reparado. Esforça-se tanto como os outros. O resto é para resolver com o clube.

 

Que opinião tem de Adrien, apontado como seu sucessor?

Desejo-lhe a maior sorte do Mundo. Tem uma qualidade enorme, infelizmente não tem tido oportunidade de a demonstrar. Mas a sua hora há-de chegar. Ele vai ser um jogador fantástico, tal como o Carriço.

 

Falou-se aqui de muitos jogadores, a esmagadora maioria deles formada na Academia Sporting. Mantém-se atento ao trabalho que é feito assistindo a jogos dos escalões jovens?

Às vezes, quando estamos em estágio e há jogos dos mais novos, gosto de ir ver. Quando era mais jovem, gostava de ver os jogadores seniores nas bancadas, era estimulante.

 
Entre os reforços, como foi a integração de Hélder Postiga, sempre especial, quando se trata de um jogador oriundo de um rival?

Desde o primeiro dia, integrou-se de uma forma fantástica, sem problemas. Conhecia-me a mim e ao João da Selecção. A qualidade nem sequer está em causa, porque é um jogador fantástico.

 

O Mundo vive a maior crise financeira dos últimos 80 anos, e há quem vaticine o fim das loucuras que se cometem no futebol, dos rios de dinheiro movimentados. Aquilo que os futebolistas ganham, atendendo também à realidade do cidadão comum, é obsceno?

Temos uma profissão rendível, mas que dura pouco tempo. Graças a Deus, rezo todos os dias a agradecer por ter a profissão de que gosto sendo bem remunerado. Muitas pessoas sentem-se revoltadas com o que ganhamos, mas não temos culpa. Se todos recebessem o mesmo que eu, ficaria muito feliz.


Alguma vez se sentiu alvo de inveja por ser um privilegiado?

O Mundo está cheio desse sentimento. É injusto e muito mau ter inveja de alguém.


Concorda que a estrutura industrializada do futebol tal como a conhecemos se vai mesmo ressentir?

Sim, mas não só a do futebol. Todas as empresas espalhadas pelo Mundo vão ou estão já a ser afectadas.

 

 

«QUERO É ESTAR SOSSEGADO»

 Assédio da imprensa cor-de-rosa é incómodo

 

O Miguel é alvo de muitas atenções e solicitações fora de campo. Há quem goste de explorar a sua vida e imagem, quase como se fosse uma celebridade. Já foi mesmo seguido pelos paparazzi nestas suas férias no exterior. Como lida com isso?

Nem lido com isso! Não o quero, nem o pretendo. Não me sinto bem com essas situações.

 

Tem noção de que vivemos noutra era: a da imprensa cor-de-rosa...

Infelizmente é o que se vende...

 

Mas é inegável que é um alvo extremamente apetecível para publicações desse teor...

Infelizmente, repito. Não quero ser alvo de nada. Quero ser a pessoa que sou, o Miguel. Alguém simples, tranquilo, humilde e que tem a profissão de futebolista.

 

Sentiu a sua privacidade devassada, quando surgiram fotos suas em férias?

Sim, ainda por cima porque passava férias bem longe daqui. Senti a minha privacidade invadida, sim. Gosto é de estar sossegado no meu cantinho.

 

Há quem olhe para si como um exemplo, um ícone da moda, dir-se-ia. Olhando para o plano mais positivo, já reparou nos miúdos que lhe imitam o estilo?

Não, por acaso nunca reparei nisso [risos]. Talvez alguns tentem ter um cabelo igual ao meu, quando o tinha grande, mas eu nunca vi nenhum a imitar.

 

Texto: António Bernardino/Filipe Alexandre Dias

Fotos: Jorge Carmona

Fonte: O Jogo



publicado por Catarina às 17:15
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2 comentários:
De Sofia a 19 de Outubro de 2008 às 15:21
Parabéns e obrigado por teres colocado a entrevista do Miguel no blog. Já agora gostava de te pedir que colocasses, se fosse possivel, o video do só visto de hoje onde o Miguel foi entrevistado sobre o lançamento do pes 2009. Obrigado e mais uma vez parabéns


De rakel a 26 de Outubro de 2008 às 17:41
olá miguel sou tua fã nº1 desde que entras t para o sporting sou do sporting desde pikena espero que continus no sporting es um optimo jogador


Comentar post


Bem-vindo (a)! Este é um blog dedicado ao jovem médio do Sporting e da Selecção Nacional Miguel Veloso, que visa trazer as mais diversas informações acerca do jogador e do seu trabalho, além de, obviamente, homenageá-lo e demonstrar-lhe o nosso apoio, pelo que não tem qualquer ligação oficial com o jogador ou o Sporting Clube de Portugal.
O blog é mantido por mim, Catarina Ferreira, desde Abril de 2007 e está em constante actualização. Obrigada pela visita. :) Dúvidas, sugestões ou críticas? Envia-nos um e-mail.



Nome: Miguel Luís Pinto Veloso
D. Nascimento:
11/05/1986
Idade: 23 anos
Nacionalidade:
Portuguesa
Naturalidade:
Coimbra
Altura:
1,80 cm
Peso:
79 kg
Clube Actual:
Sporting Clube de Portugal
Nº da Camisola:
24
Posição:
Médio-defensivo
Clubes Anteriores:
SL Benfica, CAC Pontinha, Olivais e Moscavide
Internacionalizações sub-21:
13
Internacionalizações AA:
5
Total de internacionalizações: 69


SPORTING x Olhanense
Competição:Liga Sagres (5ª Jornada)
Data: 21/09/2009
Hora: 20.10h
Local: Estádio José Alvalade, Lisboa
Transmissão: Sport TV


FC Porto x SPORTING
Competição: Liga Sagres (6ª Jornada)
Data: 26/09/2009
Hora:19.15h
Local:Estádio do Dragão, Porto
Transmissão: r Sport TV



COMPETIÇÕES NACIONAIS


Campeonato Nacional da 2ª Divisão B Zona Sul
Época: 2005/06
Clube: Olivais e Moscavide


Taça de Portugal
Época: 2006/07
Clube: Sporting Clube de Portugal


Supertaça Cândido de Oliveira
Época: 2007/08
Clube: Sporting Clube de Portugal


Taça de Portugal
Época: 2007/08
Clube: Sporting Clube de Portugal

INTERNACIONAIS


Campeonato da Europa Sub-17
Ano: 2003
País anfitrião: Portugal


Clica aqui para visitar o nosso canal de vídeos, onde podes encontrar os golos, os lances, as declarações e os momentos mais marcantes do Miguel ao serviço do Sporting e das Selecções Nacionais.


Sporting x Boavista
11.05.2008
Estádio José Alvalade
Faixa exibida no jogo Sporting x Boavista, no dia em que Miguel Veloso completou 22 anos - uma data que não podia deixar de ser assinalada. A imprensa desportiva, nomeadamente os jornais Record (clica para ver) e O Jogo (clica para ver) deram destaque a este gesto nas edições do dia seguinte. (Clica aqui para ampliar)

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